NOTÍCIAS DA LUSOFONIA

terça-feira, 6 de julho de 2010

CRÔNICA SOBRE ACLA‏ - POR FRANCISCO MARTINS

DOM PEDRO SIMÕES:

O DOM QUIXOTE

DA CULTURA CANAVIEIRA

PEDRO SIMÕES NETO

No cenário cultural da cidade dos verdes canaviais (Ceará Mirim-RN), surge um "Dom Quixote", montado na sabedoria, tendo em uma das mãos a espada da verdade e noutra o escudo da intrepidez. Seu nome: Pedro Simões Neto.



Nosso "Dom Quixote" não está sozinho, vem acompanhado por muitos sonhadores. Sua luta não será contra os moinhos de ventos, nem tão pouco contra as poucas chaminés dos engenhos que resistem ao tempo da bagaceira. Ele luta com um monstro muito pior do que imaginamos, quando se trata da insensibilidade cultural de um povo e principalmente dos seus governantes. Enélio Lima Petrovick já disse que sem cultura, qualquer nação sucumbe, quiçá um município! Mas, Dom Pedro Simões, homem de alma e sangue azul, ou melhor de garra verde e constante como o nosso canavial, não há de ceder e baixar suas armas diante do esquálido quadro que vislumbra. É preciso vender a idéia, e neste processo ouvir um "não" é cada vez mais está perto de um "sim". A Academia Cearamirinense de Letras e Artes vai surgir, assim como surgiu a manhã da criação de Nilo Pereira, assim como contemplou e cantou a minha cidade morta, na prosa poética de Edgar Barbosa. E ela é e há de ser sempre amada por cada um dos homens que entendem a cultura, como pão do espírito, comparando a academia como a Laura, musa eterna de Juvenal Antunes. Dom Pedro Simões Neto, nesta sua trajetória com certeza irás precisar de uma montaria, eis-me aqui, o menor dos apaixonados pela cultura cearamirinense, dispondo-me a ajudá-lo no que for preciso.

Francisco Martins e Ceicinha Câmara,
 no dia do 1º Sarau do Reencontro em 2009,
em Ceará-Mirim/RN.

FRANCISCO MARTINS
Escritor cearamirinense,
que incorpora os personagens:

"LEITURINO"
  E...

"Mané Beradeiro"
Cidadão da lendária e mítica São Sarauê.
Contador de Causos
e declamador de poesia matuta
na literatura do Rio Grande do Norte

visite:

SE É DO SEU INTERESSE
ENGAJAR-SE NESTA LUTA
À FAVOR DA CULTURA CEARAMIRINENSE,
ENTRE EM CONTATO COM PEDRO SIMÕES

segunda-feira, 5 de julho de 2010

DIVAGAÇÕES DE UMA BRASILEIRA - ESTER MORAIS.

ESTER MORAIS
Poeta de Açú/RN
Radicada em Natal/RN


"Brasileiros e Brasileiras"


"Sou uma brasileira que acredita e ama o Brasil. Acredito na força, na garra, na coragem que todos os dias acorda junto com o sol e leva milhões e milhões de homens e mulheres a buscarem o seu pão - seu sustento. Hoje depois do último jogo do Brasil na copa de 2010, que não assistí, como não assistí aos outros; mas, cuidei pensar nas lágrimas, na tristeza e decepção de um mundão de gente.
Não me decepcionei, não que eu não seja patriota, não é isso. Mas o futebol é algo que realmente não me encanta, em nenhum momento. Devo ser atípica, pois, no momento em que o mundo pára diante de uma tv, geralmente estou repousando, ou lendo, às vezes, até mesmo dormindo. Mas, algumas vezes, durante a participação do Brasil nesta copa, ouvia os gritos de gool e ficava feliz, mas, virava-me na cama e continuava quietinha.
O que desejo expressar, com este breve texto, é que o nosso Brasil está precisando de bem mais. O povo necessita de uma melhor atenção, claro, precisa do esporte, diversão, arte, mas, acima de tudo, de Saúde, Educação, Segurança...
O nosso povo precisa de Deus, do Deus que sara e liberta!
Brasil de um povo forte, aguerrido, embora, na sua maioria, sobrevivendo, (sabe Deus como), de um salário mínimo.
O brasileiro, sem dúvida, é um povo vencedor, que se se destaca onde chega. Isso, pela alegria, espontaneidade e transparência.
Não devemos culpar ninguém pela derrota do Brasil na Copa do Mundo. Não temos o direito de jogar pedras, até por que ninguém joga para perder, principalmente, se estiver na linha de frente!
Portanto, bola pra frente, aliás, vida pra frente!
E, como fator de suma importância, vamos incentivar nossas crianças a estudarem; os nossos jovens a alcançarem suas metas e os nossos idosos - mais carentes - vamos devolver a dignidade.
Isso não depende só dos árbitros e juízes que são os políticos.
Depende também, de cada um de nós.
Eu vou continuar fazendo o que gosto, fazendo a parte que me cabe da herança de professora, e quanto me orgulho disso.
Afinal, sinto-me útil ao transmitir aos meus jovens, as experiências de minha trajetória de vida.
Vejo isso tudo, em verde e amarelo.
Neste momento, grito pelo meu país que amo tanto.
E que Deus possa abençoar aqueles que procuraram defender o Brasil, dentro e fora do campo: homens, pais de família, que, sem dúvida, buscaram dar o melhor.
E que Deus abençoe a nossa Nação.
Eu sou Ester, uma brasileira que não gosta de futebol, gosta do Brasil!"  
FONTE: PALAVRAS E IMAGENS
Blog de Lúcia Helena
http://outraseoutras.blogspot.com/

TRÊS GRANDES POETAS DO NOSSO VALE: CEARÁ-MIRIM/RN

PARA CEICINHA,
TRÊS GRANDES POETAS
DO NOSSO VALE: CEARÁ-MIRIM/RN;
BEIJOS... LÚCIA HELENA
NÃO OLHES
Juvenal Antunes
(Rio Branco/Acre - 1939)



Não olhes para os astros do firmamento!
Eu, por olhar o sol e olhar a lua,
Fiquei, depois, fitando a imagem tua
Como escravo humilíssimo contrito!
**************
Não soltei uma queixa, nem um grito,
Nunca! A vagar na vida pela rua,
Ainda hoje o teu sorriso continua
A consolar meu coração aflito!
***************
Só os poetas são donos do universo...
E, num simples soneto, ou num simples verso,
Tudo aquilo que sentem vão mostrando!
****************
Se eu tivesse cem milhões de vidas,
Por milhões e milhões reproduzidas,
Laura, continuarias me matando?



**********************************



ENTERRO DO PECADO
Abner de Brito
Ceará-Mirim /RN - 1928



Baixa essa luz esplêndida e imprudente
Que no papel da alcova nos retrata
Não vês que o candelabro de ouro e prata
Vai nos fitando escandalosamente?
******************
Deixo o teu espaço, alvo e dormente
Tremer de frio, ó gente da mata,
Pois vou fazer dos beijos a sonata
Em que te hás de embeber gostosamente.
******************
Assim, assim despe de teu vestido branco
Põe todo nu teu morno seio franco
Como este leito é branco e perfumado!
******************
Abre teus braços, mata-me desperto
Se tens no corpo um cemitério aberto
Vamos, então, fazer o enterro do pecado!



***********************************



MISÉRIA HUMANA
Adele de Oliveira
Ceará-Mirim/RN - 1933



O que dizer, ó Deus venturoso,
Dessa gente desumana, impiedosa
Cujo veneno das línguas se derramam
E sequer percebem tal pecado?
********************
Miséria humana!
Um coração dilacerado em dores
Padece, e dos seus olhos tristes
Lágrimas vão caindo...caindo!
********************
Já não reclamo a minha desdita:
Ter um amor oculto, imaculado
Quando o delatam e empunham vis punhais
Sem a devida ciência.
*********************
Recebe, amiga, esse desabafo doloroso
Enquanto oro à N.Sra. da Conceição
Pedindo clemência aos insanos
Dessa grande miséria humana.
****************************
(Para minha amiga Áurea Pacheco Pereira (*),
neste alvorecer de 24-09- 1923)
(*) MÃE DE LÚCIA HELENA PEREIRA

domingo, 4 de julho de 2010

UMA POESIA DE MINHA AUTORIA, PARA COMEÇAR ESTE DOMINGO DE PRIMAVERA EUROPÉIA.

NOVA CHANCE DE VIDA

Obstáculos enfrentei na vida
Que venci com dificuldade
As vezes protegida
Outras vezes com infelicidade.
************
A vida é traiçoeira
Para muitos nesta Terra
Para outros é aventureira
Mesmo com muita espera.
************
Esperando é que vencerei
As lutas de cada dia
Tenho certeza que encontrarei
Os meus ideais com valentia.
************
De tudo a vida oferece!
Alegria, beleza...
Quem consegue agradece
Quem não consegue tem tristeza!
************
Há pessoas que pela vida passam
Esquecendo todos os danos
Seus destinos traçam
Ultrapassando seus desenganos.
************
Como é bom viver
Os instantes dados pelo Senhor!
Só tenho o que agradecer
As vitórias com muito amor!
************
Agradeço em oração
As lutas ultrapassadas.
Sei que Deus dá-me proteção
Por isso não fico desesperada!
*************
Muito obrigado, Deus meu!
Curaste-me uma ferida!
Neste dia muito me comoveu
Obrigado pela nova chance de vida!

CEICINHA CÂMARA 

OBS.: Poesia feita em Janeiro de 2009,
depois que tive Pancreatite Aguda
e com isto, passei a ser diabética.

Revista à Portuguesa “Fujem Moços que vem a Gripe”

HOJE (04 DE JULHO), SERÁ O ÚLTIMO DIA QUE A - Revista à Portuguesa “Fujem Moços que vem a Gripe” do Boa Esperança Atlético Clube Portimonense - ESTARÁ SE APRESENTANDO NO CENTRO CULTURAL DE VILA DO BISPO. PORTANTO, NÃO PERCA!
Inspirada no vírus da Gripe A, esta revista traz-nos também muita sátira à vida política e social do país e ainda ao quotidiano de Vila do Bispo e das suas gentes.
“Chamem o médico”, “Viagem à gruta”, ”Viva a Revista”, “Aqui há fantasmas”, “Vamos à tropa”, “Hollywood à algarvia”, “Raul Solnado”, Mulódromo” e “Bem-vindos à crise” são as rábulas que compõem este espectáculo que ao longo de três horas promete conquistar boas gargalhadas ao público.
Das várias rábulas destaque para “Raul Solnado” onde é feita uma sentida homenagem ao grande humorista português que foi Raul Solnado, recentemente falecido.
Encenada por Carlos Pacheco, que também interpreta várias personagens, a Revista conta também com a participação dos actores Esmeralda Vieira, Madalena Luz, Flávio Vicente, Rafael Parreira, Catarina Bernardino e Beto Xavier.
Destaque ainda para a fadista Ondina Santos que dará um contributo especial em alguns números musicais, e para a participação do corpo de baile internacional composto por Elaine, Manuela, Adriana, Joana, Ivo e Kiko.

HOJE, dia 4 de Julho.
ÀS 15:30 hs.
Bilhetes à venda no
Centro Cultural de Vila do Bispo.

1º ENCONTRO DE POETAS POPULARES DE VILA DO BISPO

Pelas Terras do Infante


1º Encontro de Poetas Populares
Data: 04-07-2010


Localização: Barão de São Miguel


Horário: 15h30


Organização:
Sociedade Recreativa
de Barão de São Miguel
VILA DO BISPO

Polémica: Fotógrafo português recusa dez mil euros de prêmio.

O fotógrafo Paulo Nozolino vai devolver o Prémio da Associação Internacional dos Críticos de Arte/Ministério da Cultura 2009. O acto é explicado como uma forma de "repúdio pelo comportamento obsceno e de má-fé" do Estado.

Fotógrafo português obteve
o Prémio da Associação Internacional
de Críticos de Arte/Ministério da Cultura

A decisão foi ontem anunciada através da Galeria Quadrado Azul, que representa o artista, numa carta onde Nozolino expõe as suas razões. "Ao abrigo de um parecer obscuro do Ministério das Finanças, todos os prémios de teor literário, artístico e científico não sujeitos a concurso são taxados em dez por cento em sede de IRS, ao contrário de todos os prémios do mesmo cariz abertos a candidaturas", escreve o artista de 54 anos.
Para receber os dez mil euros – entregues pelo Ministério da Cultura através da Direcção-Geral das Artes (DGA), teria de enviar à DGA certidões sobre a sua "situação contributiva e tributária, bem como uma nota de honorários", explica o fotógrafo, rematando: "É como uma acusação da parte do Estado de que não tenho a minha situação fiscal em dia e considero esse pedido uma atitude de má-fé".
A atitude de Nozolino ocorre precisamente numa altura em que os artistas estão a contestar os cortes orçamentais recentemente anunciados pela tutela.

OUTROS CASOS

CAMÕES RECUSADO
O escritor angolano José Luandino Vieira recusou o Prémio Camões (100 mil euros) em 2006 por "razões pessoais".

'PADRINHO' DÁ NEGA
Marlon Brando recusou o Óscar de Melhor Actor por ‘O Padrinho’. Em protesto contra a discriminação dos nativos, enviou uma suposta índia, que fez um discurso.

NOBEL FICA NA ACADEMIA
O francês Jean-Paul Sartre não foi receber o Nobel da Literatura de 1964, tal como já tinha feito com outros prémios.

Por: Sofia Canelas de Castro com Lusa
Jornal Correio da Manhã 

JORNALZINHO DA CULTURA DE CEARÁ-MIRIM

ISTO MERECE SER DIVULGADO!

O JORNALZINHO DA CULTURA DE CEARÁ-MIRIM
Edição experimental. Junho de 2010.
Editado pela comissão organizadora da ACLA

A ACADEMIA CEARAMIRINENSE DE LETRAS E ARTES

- ACLA -
VAI ESTIMULAR A CULTURA DO MUNICÍPIO

Uma comissão organizadora cuida da fundação da Academia Cearamirinense de Letras e Artes – ACLA, entidade que já nasce com o compromisso de estimular e preservar a riquíssima cultura da terra dos canaviais.
Composta por Gibson Machado, Lúcia Helena Pereira, Bartolomeu Correia de Melo e Pedro Simões, cearamirinenses nascidos ou adotados pela cidade, comprometidos com a cultura em suas mais variadas formas, a comissão já concluiu a as iniciativas necessárias à constituição da ACLA.
“Já contamos com Estatuto, relação de patronos, candidatos a acadêmicos e até mesmo um brasão” – relata Simões. “Temos o apoio da Academia Norte-rio-grandense de Letras e de alguns dos mais importantes intelectuais do nosso estado” conclui Pedro Simões.
De fato, a relação de patronos faz inveja a qualquer instituição cultural, dado a expressão literária dos relacionados e a sua importância no contexto regional e até nacional.
Rodolfo Garcia, por exemplo, foi membro da Academia Brasileira de Letras e a biblioteca dessa entidade tem o seu nome. Escritores como Jayme Adour da Câmara, e Júlio Gomes de Sena, de projeção nacional. Gente tombada pelo patrimônio cultural nordestino, como Nilo Pereira, Edgar Barbosa e Maria Madalena Antunes Pereira.
Poetas que fazem parte de qualquer antologia do nosso estado, tais como Juvenal Antunes, Adele de Oliveira e Anete Varela. Figuras de expressão até mesmo da política e da dramaturgia, do porte de Augusto Meira e Inácio Meira Pires.
Educador do nível do Padre Jorge O´Grady, festejado como notável em outros estados da federação.
Para que se tenha idéia de como anda a memória cultural do município, a maioria dos leitores com certeza ignorava o berço da maior parte dos patronos, não sabe nada, ou pouquíssima coisa sobre suas obras.
Pois a ACLA vai exigir dos seus acadêmicos uma monografia sobre cada um dos patronos para editá-las e distribuí-las nas escolas públicas e bibliotecas, com vistas à formação de uma consciência cultural regional.
Muita gente também desconhece os valores culturais contemporâneos. Gente que honra o patrimônio intelectual do município, tais como Sanderson Negreiros, um dos mais importantes escritores do Rio Grande do Norte, Bartolomeu Correia de Melo, reputado como um dos maiores contistas do país, Franklin Jorge, crítico literário, escritor, cronista do Ceará-Mirim, Inácio Magalhães de Sena, dos mais eruditos intelectuais do estado, autor de dois livros de memórias sobre o município.
Maria Lúcia Pereira, a poeta que tem no verde vale a sua fonte de inspiração, Anchieta Cavalcanti, jornalista, escritor e com um passado dedicado às artes cênicas da nossa terra e Pedro Simões, memorialista, cronista e contista que apropriou em seus livros o modo cearamirinense de ser.
E, finalmente, o escritor e arquivista da memória do Ceará-Mirim, Gibson Machado, grande animador da cultura popular e cioso guardião da história municipal.
A comissão organizadora da ACLA aguarda o fim do período eleitoral para implantarem a entidade, receosos de que a política partidária possa conduzir os nobres propósitos da instituição a rumos diversos dos pretendidos.
Até o momento em que editamos esse veículo, inúmeras tentativas foram feitas no sentido de obter apoio dos poderes constituídos do município – a Prefeitura e a Câmara Municipal – através dos seus titulares e nenhuma resposta foi dada, nem mesmo para que os membros da comissão fossem recebidos em audiência.

*************

VERDE, SEMPRE TE QUERO VERDE.
(AO MEU VALE – CEARÁ-MIRIM)
Lúcia Helena Pereira
Verde, sempre te quero verde!
Vestido de esperança e dourado de sol.
Verde, sempre te quero verde
Brilhando na chuva e espreguiçando-se ao vento.
Verde, sempre te quero verde,
Iluminado e festivo
Comemorando história e preservando lembranças.
Verde, sempre te quero verde
Exibindo casarões, praças e ruas,
Patrimônios de antigas nobrezas.
Verde, sempre te quero verde,
Impetuoso, destemido e alvissareiro,
Na travessia dos séculos.
Verde, sempre te quero verde,
Na memória dos teus filhos ilustres,
Uns distantes, outros próximos do coração.
Verde, sempre te quero verde,
Coberto pelo aroma fresco das matas
E banhado pelos rios serenos,
Onde sussurram as sinfonias do tempo.
Verde, sempre te quero verde,
Embelezando-se no Oiteiro, Guaporé,
Santa Águeda, Verde - Nasce,
Mucuripe, Solar Antunes!
Verde, sempre te quero verde,
Na Usina São Francisco, Ilha Bela,
No Cumbe e Diamante.
Verde, sempre te quero verde,
Nas águas misteriosas e perfumadas dos olheiros,
Do rio Água Azul e rio Ceará-mirim sempre te quero verde
Na casa - grande onde corri meus passos de criança,
E bebi água de poço refletindo a minha vida!
Verde, sempre te quero verde
Anunciando alegrias e acordando saudades.
Nas águas límpidas dos seus rios poéticos.
Verde de memoráveis figuras
Do meu bisavô - José Antunes de Oliveira,
Da minha avó paterna - Madalena Antunes,
Do meu tio-avô Juvenal Antunes de Oliveira,
Do primo amado - Nilo de Oliveira Pereira.
Ceará - Mirim de Edgar Varela e Edgar Barbosa,
Da ex-prefeita Terezinha Jesus da Câmara Melo,
De Roberto Pereira Varela e Rui Pereira Júnior,
De Adele de Oliveira e José Augusto Meira.
Verde de tantos nomes queridos:
Gracilde Correia de Melo, Idalina Correira Pacheco
Raimundo Pereira Pacheco e Olympia (meu avós maternos),
Ceará-Mirim dos meus pais:
Abel Antunes Pereira e Áurea Pacheco Pereira.
Dos meus tios: Ruy Antunes Pereira, Vicente Ignácio Pereira,
Maria Antonieta Pereira Varela e Luiz Lopes Varela,
Joana D´Arc Pereira do Couto !
Verde de Zizi -Augusto Vaz Neto- (primo tão querido),
De Herbert Washington Dantas,
Do meu trisavô - Manoel Varela do Nascimento e Bernarda.
Verde dos tios: Etelvina Antunes Lemos e Ezequiel Antunes.
Das minhas contadoras de estórias: Piô e Maroca.
Ceará-Mirim de Quincas e Lebre
Do compadre Joaquim Gomes (tocador de Rabeca),
De dona Biluca - rendeira de almofadas de bilro!
Verde, resplendente verde,
De minha Duda (Iara Maria Pereira Pinto),
De Uruca - Denise Pereira Gaspar,
De minha primeira professora: Valdecy Villar de Queiroz Soares!
Verde dos meus conterrâneos: Naide, Neire e Nadeje,
De Abner de Brito, Onofre Soares, Gibson Machado,
Waldeck Moura, Edvaldo Morais, Dr. Percílio e dona Esmeralda
A cidade verde, de canavial ondulante,
De oiticicas cheirosas, manacás, umburanas...
Ceará-Mirim – criança de 151 anos
Engalanando – se para festejar
Seu verde resplendente, luminoso e iluminado,
Brilhando nas asas dos araraús
Passeando pelo infinito
E ecoando nas sinfonias siderais,
Repercutindo - se no dobre dos sinos
Da Matriz de N.Sra. da Conceição
Ecoando pelo vale!
Ceará - Mirim! Sempre VERDE!
É assim que eu te quero!



*******************

Da série: “O Céu de Ceará-Mirim”Franklin Jorge, uma das maiores expressões do contemporâneo momento cultural de Ceará-Mirim.

**********************

O DISCÍPULO DE GUTENBERG
30 de Setembro de 2008

Por Franklin Jorge

Aluísio Macedônio Lemos emociona-se ao reler as anotações que servem de matéria-prima ao livro de memórias que está escrevendo. Uma parte já foi composta em tipografia pela mulher, Dona Laurice, que se multiplica em atenções e cuidados.
Papai chegou ao Ceará-Mirim por volta de 1900, onde se casou em 1901 e lhe nasceu Adalgisa, professora durante anos no Ceará-Mirim onde era querida por todos. Casou-se com Justo, pai de José Lemos, que em 1952 repintou o teto da igreja de Nossa Senhora da Conceição.
Embora nascido em Natal, Macedônio não esquece o Ceará-Mirim, onde viveu depois que retornou de Fortaleza.
Há muita coisa sobre o povo e a cidade que ocultei no meu livro. Eu me lembro que quando viemos do Ceará para o Rio Grande do Norte, em 1910, estavam construindo a ponte de Igapó. Até então a travessia era feita por meio de barcos e canoas.
O avô de Macedônio, general do Exército Brasileiro, integrou o corpo de Voluntários da Pátria e lutou na guerra do Brasil contra o Paraguai.
Era muito amigo do general João Varela, cujo nome batiza uma das principais avenidas do Ceará-Mirim. Todos os domingos, o meu avô promovia jogos de baralho na sua casa e convidava o general João Varela.
Meu avô criava um macaco que certa vez subiu na mesa em que eles jogavam e embaralhou as cartas... O episódio ficou na crônica da família. Meu avô era calmo e tinha, como o general João Varela, uma barba longa à D. Pedro 11...
O general puxava de uma perna, em conseqüência de uma refrega no Paraguai. Era um homem muito bom e querido no Ceará-Mirim.
Macedônio lembra que o avô morava num velho casarão, nos oitões da Intendência e possuía, além da patente militar, vários imóveis de aluguel.
Sustentava quinze netos. Quando estava preocupado com alguma coisa, cofiava em silêncio a barba espessa... Morreu em 1921.
Uma das coisas que Macedônio não conta em suas memórias diz respeito à discriminação social que vigorava no Ceará-Mirim como uma lei não escrita.
As crianças pertencentes a classes sociais diferentes, não brincavam juntas e, de uma maneira geral, as pessoas eram discriminadas pelos senhores de engenho. Apurava-se muita nobreza e até gente que não tinha qualidade, porque não possuía dinheiro nem tradição, discriminava aqueles que estavam socialmente um degrau abaixo.
No Ceará-Mirim, os pobres era discriminados e não entravam em casa de rico. O delicioso avoador era comido às escondidas nas casas de família, por ser considerado peixe de pobre. Era comido fora de hora, para que ninguém lhe sentisse o cheiro.
Eu me lembro de um episódio que presenciei na feira, uma manhã. Eu estava perto de um garajau de avoador quando Sérgio Fonseca, que morava no quadro do Mercado, veio na nossa direção.
O vendedor lhe ofereceu o peixe e Sérgio, ao perceber a presença de um estranho, sentiu-se ultrajado. Reagiu grosseiramente, exigindo respeito, pois peixe daquela qualidade não lhe entrava em casa. O vendedor desculpou-se como pôde, explicando que lhe havia oferecido o garajau de avoador para ele vender aos trabalhadores de suas terras...
Ainda me lembro que as visitas eram anunciadas com antecedência e observavam todo um ritual. O Ceará- Mirim, acredite, era assim.
Até 1920 havia muito impaludismo no município. A terra, muito encharcada e cheia de olheiros, era das mais insalubres. Os invernos, rigorosíssimos, causavam grandes estragos à saúde da população.
O Ceará-Mirim tinha alguma coisa do Pará, onde vivi e trabalhei na Tipografia Guajarina. Lá, a base alimentar também era o peixe, a farinha d’água e o açaí... No Ceará Mirim comia-se muita verdura, porque era especial e barata. O feijão verde era indispensável, assim como o maxixe e
É com indisfarçável prazer com que Macedônio reconstitui os costumes alimentares antigos.
Na mesa do meu avô sentavam-se ele à cabeceira e os netos ao redor. Ficava diante dele um prato cheio de ovos cozidos, dos quais ele comia somente a clara de seis ou mais e dava as gemas para os meninos que ficavam mais perto dele...
O passadio era farto e saudável. Não faltava na sua mesa o canjicão, o jerimum, o cuscuz, a batata doce, a macaxeira, o munguzá e, às vezes, o pão e a manteiga.
Tomava-se o café puro ou com leite. Essa primeira refeição, da qual constava tudo isso, era tomada entre as seis e as seis e meia da manhã, antes dos meninos saírem para a escola.
O almoço era de peixe ou galinha, quando não feijão com carne verde, farofa ou pirão, dependendo do gosto de cada família. Comia-se nessa segunda refeição muita verdura. A mangaba acompanhava o peixe cozido e espremia-se o cajú sobre o pirão de peixe...
À noite o meu avô gostava de comer banana-sapo ou banana-de-velho assadas com a casca e tudo e em seguida eram fritas em azeite doce. Também constava do jantar jerimum, arroz doce, pão, queijo - quando havia -, coalhada, leite e café. A batata não era comida à noite, porque provocava gases; meu avô as chamava de “pílulas bufantes”, só recomendáveis para consumo durante o dia...
Autodidata, Macedônio foi a vida inteira jornalista e tipógrafo. Ainda hoje mantém uma revista literária, A Juriti, que já tirou para mais de 150 números, sem a ajuda de nenhuma instituição.
Em Ceará-Mirim fundei a revista “Canaviais” e o jornal “Folha do Vale”. A coleção da “Folha...” está nas mãos do historiador Manoel Rodrigues de Melo, que a pediu emprestada e nunca mais a devolveu... Havia muitos jornaiszinhos manuscritos no Ceará-Mirim e eu acho que escrevi alguma coisa a respeito numa dessas publicações... “A Juriti” já não circula há quatro anos, mas temos um número parcialmente composto.
O jornalismo abriu para Macedônio as portas da política. Integralista histórico, fundou o partido no Ceará-Mirim, onde recebeu uma comitiva liderada pelo escritor Luís da Câmara Cascudo.
Cascudinho chegou em trem especial fretado. Fizemos uma grande festa na minha casa... Naquele tempo, havia no Brasil, veja só, 152 partidos políticos, nos quais se disseminavam todo tipo de comunista.
No Brasil a propaganda anticomunista era organizada e mostrava os horrores da Espanha, com freiras espetadas nas portas de conventos e hospitais... O Integralismo reagia a tudo isso sob o comando de Plínio Salgado, grande escritor, muito caluniado por se opor ao comunismo e ao fascismo no Brasil. Foi pioneiro nessa luta, mas revelou-se um fraco, pois deixou os brasileiros na mão, ao curvar-se diante da vontade do ditador Getúlio Vargas. Nosso lema era Deus, Pátria e Família.
Macedônio informa que Cascudo era um dos chefes do partido integralista no Rio Grande do Norte.
Homem de muita cultura, Cascudinho se prejudicou por ser popular. A sociedade burguesa não suporta os homens de cultura que conquistam grande popularidade, como Cascudinho. Eu ouvia muita crítica contra ele, de pessoas que diziam que ele não sabia tanto quanto se propalava...Que o seu talento era emprestado... Foi muito satirizado pelos adversários que temiam o seu gênio e a sua cultura.
Esmeraldo Siqueira dizia sempre muito mal dele. Chegava a ser injusto e impiedoso. Insistia que Cascudinho era ignorante, não sabia nada e escrevia muita besteira.
Havia até quem dissesse em Natal que seus livros eram escritos pelo professor José lvo Cavalcante... Depois José Ivo morreu e Cascudinho continuou escrevendo e publicando um livro atrás do outro, indiferente à inveja dos conterrâneos. Seus detratores, ao contrário, não deixaram nenhuma obra. Nada, nada, nada.
Em 1935, dinamitaram a casa de Macedônio no Ceará-Mirim, na antiga rua das Trincheiras, em frente ao Teatro Operário, que desapareceu com o tempo.
Tínhamos poucos militantes, apesar de o Ceará-Mirim ser potencialmente comunista. A cidade era conhecida em toda a parte com a Moscou Pequena, de tantos comunistas que havia lá...
O povo de Ceará-Mirim gostava muito de cultura, mas era ideologicamente fraco. Não tinha capacidade de ação e todos eram muito apegados a interesses pessoais.
Agora, você sabe, sempre há dissidentes. Porém, quando se insurgiam por algum motivo, não tinham força, não tinham expressão. Foi lá que eu aprendi que o oportunismo caracteriza as massas.

*************************

Divulgue o Jornalzinho da Cultura.
Forme uma corrente em favor
da cultura Cearamirinense.
Você está convidado a fazer parte
de um grupo que pretende revitalizar
a cultura de Ceará-Mirim.
Escreva para

Conterrâneo "ADEMAR MACEDO" e suas "MENSAGENS POÉTICAS"

Trova do Dia:
Tem rugas que mete medo,
banca o broto e não repara
que é inútil fazer segredo
de um troço que está na cara!
(Maria Nascimento/RJ)



 Trova Potiguar:
Eu vi os dois num duelo,
quando eu estava brechando;
um sem o pé no chinelo
e o outro em pé, chinelando.
(Prof. Garcia/RN)



 Uma Trova Premiada:
2009 - Nova Friburgo/RJ
Tema - SUSPIRO - M/H
Lá na praça do Suspiro,
O vovô, todo genérico:
– eu tento, assanho e transpiro,
mas quem sobe é o Teleférico!
(Elisabeth Souza Cruz/RJ)



 Uma Trova de Ademar:



“Escolado” na cartilha
da feira do troca-troca,
troquei um rádio “sem pilha”
por uma galinha choca!
(Ademar Macedo/RN)





*********

...E Suas Trovas Ficaram:
Parece até brincadeira
este trocinho irrisório:
em teu biquini, a fronteira
é menos que o território...
(Durval Mendonça/RJ)



 Estrofe do Dia: 
Além de estar quebrado e já velhote,
um fazendeiro em franca decadência,
deu um golpe da maior inteligência,
alardeando que a filha tinha um dote.
De pronto um novo rico cai no trote
acerta o casamento e marca a data.
Casa e após uma festa rica chata,
recebe o dote que tanto ele espera...
E você sabe esse tal “Dote” o que era?
Um sardento cachorro vira-lata.
(Francisco Macedo/RN)



 Soneto do Dia: 
A FAMÍLIA.
– Edmar Japiassú Maia/RJ –
Nas garras do marido ciumento,
sem ter um pouco só de liberdade
e sendo adepta da infidelidade,
foi sempre o dia a dia o seu tormento...



Mil desculpas brotavam à vontade...
Dentista, manicure, ida ao convento...
Mas o marido, desconfiado e atento,
cismava em suspeita da realidade.



Um belo dia a campainha soa,
ela abre a porta e quase fica inerte
ao perceber dois primos em pessoa...



E o esposo, antes atento e sempre à espreita,
com seus dois primos tanto se diverte,
que hoje, afinal, é ela quem suspeita!






AGENDA CULTURAL BRASIL. SUGESTÃO DE CLEVANE PESSOA.

Amigos:

Se estiverem em belo Horizonte, eis uma imperdível oportunidade de conhecer a banda tancredos-e sem pagar nada!
Avisem belorizontinhos!
Abraço:
Clevane

NESTE DOMINGO 04/06/10
- ENTRADA FRANCA -
TANCREDOS NA FEIRA DO MINEIRINHO‏

MAIS UMA VEZ
A BANDA TANCREDOS
LEVA O MELHOR DO ROCK NACIONAL
ANOS 80 AO PALCO DA
FEIRA DE ARTESANATO DO MINEIRINHO.



UMA GRANDE OPORTUNIDADE
PRA QUEM JA CURTE OU
ESTA AFIM DE CONHECER O SOM
DESTA BANDA QUE A CADA SHOW
SE FIRMA COMO UMA DAS GRANDES
ATRAÇÕES NO CENÁRIO DO ROCK MINEIRO.



E O MELHOR DE TUDO:
A ENTRADA É FRANCA!