NOTÍCIAS DA LUSOFONIA

sábado, 3 de julho de 2010

Revista Exclusivo - Confissões de Dona Dahlia, esposa de Câmara Cascudo. Por: Pedro Simões.‏

Querido(a)s Amigo(a)s
No ano da graça de 1989, editei, às minhas custas, uma revista que denominei de "Exclusivo". Era pretensiosa a publicação. Pretendia ser diferente, misturando alhos e bugalhos - desde as frivolidade até assuntos culturais relevantes. É evidente que durou pouco - chegou aos seis números (era mensal). Mas deliciei-me enquanto durou porque conseguimos alguns feitos inéditos, como por exemplo, uma comovente confissão de Dona Dahlia Cascudo sobre o seu namoro com o mestre da cultura potiguar, por obra e graça de minha queridissima Camila, filha de Camilo e de Ana Maria Cascudo Barreto.
Ana Maria, para glória da revista foi sua colaboradora. Assim como Vicente Serejo, Manoel Onofre Jr., Franklin Jorge, Alex Nascimento, Augusto Severo Neto, Ilneth Correia, Marcio Tassino...por aí. Tutti buona gente, amigos que apoiavam o empreendimento que queria ser revolucionário e independente.
Havia também um tais de Paco de Andorra, Chico de Assis, Lenival Carvalho, heterônimos do editor (eu) que "echiam linguiça" sem se exibir como donos da casa.
Meus filhos Marcos Frederico e Bianca eram, respectivamente Diretor Industrial e Gerente de Publicidade e de Circulação, ambos apenas adolescentes que se revelaram adultos competentes nas suas áreas. Milena e Luciana tambem ajudavam. Amanda ainda era muito criança. Minha ex-mulher, Angela, foi uma inestimável força de trablho e de uma dedicação irrestrita.
Vou tentar resgatar, para os amigos de fino trato, as boas memórias dessa revista, através da digitalização, como a que faço remessa hoje, num sábado meio sobre o triste e raivoso diante da derrota do Brasil frente à Holanda.
Serve de consolo e de compensação.
Abraços e beijos.
Bom fim de semana.
Pedro

**************

DHÁLIA CASCUDO 


A ETERNA NAMORADA DE CASCUDO


Luís da Câmara Cascudo
e
Dahlia Freire Cascudo






Para ler melhor, cliques sobre os artigos impressos e quando abrir (um de cada vez), é só aumentar a fonte (o tamanho da letra). Vale à pena ler está linda história de amor! 

LÚCIA HELENA ENVIA-ME POEMAS DO SEU TIO JUVENAL ANTUNES.

LÚCIA HELENA PEREIRA
Escritora - Poeta
Ceará-Mirim/RN

Poemas de Tio Juvenal‏

DOR CALADA
Juvenal Antunes



NUNCA OUVIRÁS DE MIM UM SÓ QUEIXUME,
QUE TE PROVOQUE UM RISO ZOMBETEIRO;
SEI SUFOCAR OS ECOS DO CIÚME,
POIS TU NÃO ÉS O MEU AMOR PRIMEIRO.



COMO DAS FLORES O SUTIL PERFUME,
O AFETO DA MULHER SEMPRE É LIGEIRO;
MAS, A ABRAZAR - ME NESSE ESTRANHO LUME,
HEI CONSUMIDO O MEU VIVER INTEIRO.



SEJA BONITO OU FEIO, RICO OU POBRE,
NESTA VASTO PLANETA, QUE O SOL COBRE,
AINDA NINGUÉM AMOU, QUE NÃO SOFRESSE...



TODO AMANTE SE JULGA UM DESGRAÇADO;
NO ENTANTO, SE EU ME VISSE CONDENADO
A EXISTIR SEM AMAR, ANTES MORRESSE!



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DORMINDO
Juvenal Antunes



ERA À MARGEM DE UM CÓRREGO CANTANTE...
NO ALTO DO CÉU AZUL, A LUA HEIA;
E, NÓS DOIS ASSENTADOS SOBRE A AREIA,
ME CONFESSAVAS TEU AMOR CONSTANTE!



ERA VISÃO O QUADRO DESLUMBRANTE...
EU SONHAVA...PORÉM, MINH´ALMA ALHEIA
À REALIDADE, NA ILUSÃO DA IDÉIA,
ME TRANSFORMAVA NUM FELIZ AMANTE!



MAS, NESTE MUNDO, QUEM NÃO TEM VENTURA,
QUEM NASCEU DESGRAÇADO, ATÉ DORMINDO
PERDE O BEM QUE, ACORDADO, EM VÃO PROCURA!



E, ASSIM, MAL ESSE SONHO TERMINARA,
SONHO IMPOSSÍVEL, MAS TÃO DOCE E LINDO,
EU SONHEI QUE ERA SONHO O QUE EU SONHARA!



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VULCÃO
Juvenal Antunes



QUEM TE CONHECE ASSIM, SIMPLES, MODESTA,
DE OLHOS BAIXOS, DISCRETA E RECOLHIDA,
COM ESSE CÂNDIDO PORTE, QUE TE EMPRESTA
UM AR DE MELANCOLIA COMPUNGIDA.



E OUVE-TE A VOZ TÃO SUSSURANTE E MESTA,
COMO UMA DOCE NOTA SUSTENIDA,
FICA A PENSAR QUE ALGUMA DOR TE INFESTA,
QUE ALGUMA MÁGOA TE CONSOME A VIDA.



TODA A GENTE, ENTRETANTO, ANDA ENGANADA;
ÉS, ENTRE AS MIL MULHERES QUE EU CONHEÇO,
A MAIS ARDENTE, A MAIS APAIXONADA...



SEMELHAS O VULCÃO, PERFEITAMENTE:
POR FORA, PEDRA, ARGILA, AREIA, GESSO;
POR DENTRO, FOGO, LAVA INCANDESCENTE!



*******************



VENTURA
Juvenal Antunes



NAS MADRUGADAS DE VERÃO, COSTUMO
ME LEVANTAR COM O CLARO DO SOL RADIOSO,
E ENCONTRO UM NOVO E DELICADO GOZO
NO MEU VIVER. TOMO CAFÉ, E FUMO!



SEGUINDO, ENTÃO, MEU PENSAMENTO O RUMO
DE IDÉIAS GRATAS E FELIZES, OUSO,
PENSAR QUE O MUNDO É PLÁCIDO E FORMOSO
E É DITOSA A EXISTÊNCIA, QUE EU CONSUMO.



DITOSA, SIM, PORQUE É VENTURA PLENA
ENCHER A NOITE DE ÓSCULOS DE AMOR
E, APÓS, GOZAR ESTA MANHÃ TÃO LINDA...



ENQUANTO TU, Ó LAURA, ASSIM SERENA,
NO NOSSO LEITO, SOB O COBERTOR,
FATIGADA DE AMOR, DORMES AINDA!

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JUVENAL ANTUNES

Imagens do acervo fotográfico de Lúcia Helena Pereira
JUVENAL ANTUNES DE OLIVEIRA nasceu no engenho Oiteiro, Ceará-Mirim/RN - Brasil,  em 29 de abril de 1883 e faleceu em 29 de abril de 1941.
Era promotor de Justiça, tendo servido em AÇU/RN E NO ACRE (onde viveU durante 28 anos).
Autor de dois livros: Cismas (1909) e Acreanas (1922).
Patrono da Academia Acreana de Letras, foi aclamado e eleito pela entidade, como "O Príncipe dos Poetas Acreanos".
Patrono da Academia Norte-Riograndense de Letras e da Academia Cearamirinense de Letras (em vias de fundação).
Escreveu mais de 400 sonetos e muitas cartas que poderão ser encontradas em meu livro: Breve Coletânea de Juvenal Antunes e no site: http://www.bibliotecadafloresta.ac.gov.br/


Conterrâneo "ADEMAR MACEDO" e suas "MENSAGENS POÉTICAS"

 Trova do Dia:
Parece que a tentação
acredita pouco em mim.
Vivo dizendo que “não”,
e ela dizendo que “sim”...
(José Fabiano/MG)



 Trova Potiguar:
A esperança é um leve fio,
nem se pega, nem se alcança.
Mas o maior desafio,
é não perder a esperança!
(Prof. Garcia/RN)



 Uma Trova Premiada:
2000 - Niterói/RJ
Tema: DELÍRIO - Venc.
Meu delírio, ouvindo passos,
chega às raias da demência;
abre a porta, estende os braços
para abraçar tua ausência!
(Pedro Ornellas/SP)



 Uma Poesia livre:
TRATADO DE PAZ.
– Nealdo Zaidan/PE –
Aqui, senhores, estamos,
em nome talvez da humanidade,
reunidos em "fraternidade"
e nossos louvores cantamos.
De tudo falamos.
Guerra, armas, aviões.
De riqueza e poder,
exércitos, foguetes e canhões.
É um assunto profundo
que temos para resolver.
De nós, depende agora o mundo
e tudo que nele venha a acontecer.
Mas, trago um assunto não muito novo,
que fala das crianças
que vivem talvez sem esperanças,
dormindo com fome e pelo chão;
ou esmolando pedaços de pão.
Serão tão importantes as armas de guerra?
Os foguetes que destroem a terra,
ou os exércitos que se matam sem razão?
Proponho,pois, um novo tratado:
(que veremos o poder que ele traz ).
Que seja por todos os povos assinado.
Um simples TRATADO DE PAZ!



 Uma Trova de Ademar:

A noite, em sonhos imersos,
com a inspiração em dia,
eu fiz um sarau de versos
num alpendre onde eu dormia!...
(Ademar Macedo/RN)


************

...E Suas Trovas Ficaram:
Rezar é belo, criança,
não há mistério na prece...
Deus dá o pão da esperança
enquanto o trigo não cresce!...
(Adelir Machado/RJ)



 Estrofe do Dia:
O Brasil entregou-se a própria sorte,
sem pensar pelo menos um segundo,
que as nações poderosas desse mundo
querem o verde pulmão do extremo norte;
quem trair nossa independência ou morte
mancha o sangue do herói do mês de abril,
me refiro a figura varonil
de Joaquim Xavier o tira-dentes;
com exceção das crianças inocentes
só Deus sabe quem presta no Brasil!
(Otacílio Batista/PE)



 Soneto do Dia:
REALIDADE.
– Olga Dias Ferreira/RS –
Na procura de um grande sentimento,
eu vou levando a vida a versejar,
e vencendo cansaço, desalento
me pego, de repente, a poetar.



Em rimas eu desnudo o pensamento,
buscando um coração para ancorar,
que pontilhe de cor meu firmamento,
me oferte estrelas para me inspirar.



Por algum tempo, fico a tudo alheia,
belos castelos a erigir, na areia,
na falsa ausência deste meu conflito...



Mantendo, assim, a minha vida cheia,
volto a encontrar a luz que me norteia
daquele amor primeiro... e tão bonito!!!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Perfil de DIÓGENES DA CUNHA LIMA‏, por: PEDRO SIMÕES.

Caro(a)s Amigo(a)s
É com muito prazer e alegria que remeto o perfil dessa semana.
Trata-se do magnífico amigo Diógenes da Cunha Lima, homem festejado pelas conquistas no campo intelectual e pelo hábito de cultivar amigos.
Difícil e cansativo seria enumerar os seus muitos títulos, honrarias e homenagens, como tarefa igualmente dispendiosa seria tratar das muitas homenagens que ele próprio prestou aos seus conterrâneos ilustres e à terra potiguar.
Fácil, honesto e sincero, embora preito miúdo, é realçar-lhe as qualidades para que os seus contemporâneos se orgulhem do modelo.
Grande abraço
Pedro Simões

DIÓGENES DA CUNHA LIMA



"DIÓGENES, INVENTOR DE CRIATURAS, COLECIONADOR DE  AMIGOS (RETRATO 3 X 4 DE UM AMIGO-POSTER MERECEDOR DE OUT-DOOR)

Ninguém foi mais biografado, referido, louvado e amado que Diógenes da Cunha Lima, filho.
É o modo que os seus muitos amigos encontraram de expressar o seu bem-querer e a sua Gratidão pela amizade-sombra-guarda-chuva de tão querido parceiro. Quem chegou tarde Encontrou pouco espaço para dizeres, querências e louvações. Restaram os entretantos E vieses. Pouco mais que uma ou outra pose para um retratinho no lambe-lambe das feiras interioranas. Nesses espaços, confins e lindes ainda assim aventuro-me, temerário e desajuizado, sovinando Ouro, incenso e mirra por pauperismo de origem, carecendo até mesmo de riqueza narrativa ou vocabular para fazer o enfrentamento das circunstâncias. Mesmo assim, rendo merecidas loas Porque o santo não é de barro nem o andor colado com cuspe.

O sol não manda arautos à frente para anunciar-se, mas a sua luz (Zalkind Piatigórsky)

Trouxe a lume o dia mais claro e mais azul que pudesse ser. Alumiou mais ainda a claridade para observar a criatura. Descobriu-se um Diógenes
diferente do grego, amante da criação e da criatura. Não mais buscava, anunciava. Tornou-se poeta, de frase curta, rima incidental, palavra grávida de beleza e de intenções, precisa. Suficiente.
E por amar o mundo e os seus habitantes, fez-se, naturalmente, generoso.
Largo de gestos, talvez, parafraseando a poeta, gesticule seu pensamento, de sorte que mesmo estando parado é já ter compreendido ou não ter dúvidas.
Com um abraço, transfere-se, com um sorriso se explica. Com a palavra constrói amigos e abrigos, inventa alvores e ainda reúne os escombros do dia para fundear a noite.
Em suas lidas, “... reparte a côdea, o boi (...) e sobretudo e mais que tudo, a palavra sem fel”. Uma pomba seria a imagem mais adequada para o seu verbo - branca, plumosa, digna, no bico um ramo de algaroba anunciando - o fim da estiagem e os rigores do inverno.
O sorriso sempre pronto, freqüente e estimulante, mal comparando, como as portas automáticas que se abrem quando o sensor indica a presença humana, e, bem comparando, qual o girassol que se volta na direção da luz. Um sorriso a meio caminho do vicariato, no rumo do hospitaleiro interiorano. Com gosto, sempre. Um meio aguado quando de simpatia, apenas. Mas cheio de sol nos portantos e portentos.
Todavia, cautela é recomendável, sem pressa conclusiva quando o virem assim, na tarde, sorridente, imaginando-o sem propósito. Jorge Fernandes adverte:



Habitualmente vivo assim, sorrindo.
O riso para mim exprime tudo...
E no ato mais sério, estando rindo
Sou mais sério rindo que sisudo.

Porejado por uma santidade profana, porque aceitou, melhor dizendo, acoitou os pecadilhos como contraponto de sua natureza e fatalidade inelutáveis. Legítima defesa. Afinal, tornara-se mortal e nordestinado desde que viera á luz num vale de lágrimas, cuja tanta profusão formou o Curimataú, recorrente rio da infância. Nessas águas, dessalinizadas e adoçadas no sobejo da boca do Diógenes-pai, e Eunice-mãe, navegou até o Potengi.
Primeiro, desembarcou no refoles de Riffault. Quando, que nem Crusoé espiando as sextas-feiras, descobriu as margens ramosas. Um dia, teve vontade de continente e, conduzido pela maré, fincou raízes provisórias à beira do cais da Tavares de Lira.
Depois, transplantou-se pelas ribeiras e alecrins e pelas alturas e baixios da cidade. Virando homem-árvore (imponderável baobá) danou-se cabeça arriba para as dunas, mergulhou a folhagem mística no mar de arrebentação pouquinha, recolhendo a sutil renda branca tecida pelas ondas para formar as nuvens, e, fiado no farol de Mãe Luiza, aventurou-se por mares nunca dantes navegados.
Conheceu os sábios do Sião, os Reis Magos, o santo Cascudo de muitos saberes e muitos charutos, os mitos e as lendas de um Natal memorável, seiva de suas raízes – Navarro, Dorian, Rabelo, Veríssimo, Djalma Marinho, Jorge Fernandes, Zila Mamede, Onofre Lopes, Nei Leandro, Lula Capeta (também louvado como Guimarães), Sanderson, o almocreve de sextante apontado para as estrelas...fábula, fábula.
(De Itajubá, o Ferreira, só conheceu a poética, mas foi suficiente. Rendido pelas tantas belezas dos versejados, num culto à sua imortalidade, mandou restaurar a casa onde nasceu. Como mandou esculpir e pintar quadros dos seus cultuados, num ritual pagão pré-franquado por Deus. É assim o magnífico Diógenes.)
Com aprendizado bem posto e afamado, foi ensinar o que aprendeu, para não sovinar a ciência. Capitulou-se à universidade e ficou sendo seu Reitor. Refém do seu ofício, entregou-se escravo de ventre livre à sua terra e à sua gente.
Foi mais além, foi deão de todas as universidades brasileiras, e é presidente do Panteão de Letras Potiguares, sem perder o sotaque, nem perder de vista o verde oceânico potiguar, a fascinação das dunas caprichosas e o aleitamento do Curimataú.
Porque foi sempre e a vida toda uma criatura compromissada com a sua aldeia, que nem o santo besouro cascudo Luís da Câmara e o Fernandes que Jorgeou com os pássaros.
Andou por Seca e Meca, Oropa, França e Bahia. Foi condecorado, enaltecido, honrado e comendadorado, mas, no terceiro dia sempre ressurge dos céus mais luminosos e promissores e planta-se nos quintais da sua terra adotiva. Toca o sino, como os nativos dos mares do sul sopravam os búzios, para as celebrações dos amigos, em Pirangi - o mar embaixo, caminho de navegação, carta de alforria da alma viajora.
Homem que bota fé nos compromissos assumidos, leal, pastoreador de amigos e de sonhos delirantemente perseguidos e realizados, surpreende os alheados e se assombra, ele próprio, com a o tamanho e a extensão dos seus devaneios.
Decidiu criar o projeto Rio Grande do Norte, em que faria a Universidade debruçar-se sobre os problemas de sua terra e oferecer-lhes alento e cura.
Assim o fez. Enfrentou o desafio de executar o maior programa de editoração da produção intelectual dos docentes e discentes da sua academia. Foi feito.
Beiradeiro de Nova Cruz, fez propósito de liderar os dirigentes das instituições de ensino superior do país. Tudo gente bem letrada e bem falante. E foi.
Quis ser dono de um baobá, ao menos tutorar um espécime dessa árvore-útero, sementeira da raça, instituir-se o seu poeta e oficiante, e deu no que deu. O “baobá do poeta” é atração turística de Natal. É, por isso mesmo, o homem-árvore referido nos prolegômenos desse escrito.
Deu até nome de Estação Ferroviária, a da Ribeira, de mor valia. Quem já emprestara seu nome a tanto alvoroço, gente de indo e vindo, lendo na plaquinha o porto seguro de partida e de chegada: Diógenes da Cunha Lima? Só um predestinado a ser.
Coleciona amigos como outros o fazem com coisas ditas muito importantes sem importância nenhuma.
Diz que até inventa pessoas, descobre um quê embutido em cada um e, por artes d´alquimia, faz florescência desse intuitivo insuspeitado.
Cada causo tem três estórias: a sua, a minha e a verdadeira. Mas esse causo eu conto, como o causo foi. Rei é rei e boi é boi.
Conto um causo de vera acontecência como romance sem rima, seco que nem o chão da catinga, aqui e acolá, um respiro de uma macambira e de um mata-pasto. Lá vai:
Mal sucedido numa fábrica de ração para aves, certo advogado, ainda jovem, mas já renomado, desfez-se do seu patrimônio para saldar as dívidas comerciais e aceita convite para administrar um grupo de empresas na distante Teresina, capital de Piauí.
Corria o ano da graça de 1976/1977, por aí...
Dito causídico que tinha até veleidades literárias, um poeta passivo e militante de sonhos vários, de repente vê-se degredado para um sítio ermo de praia e de brisa, os floreios convertidos em atos de gerência, haveres e deveres, exilado da sua aldeia. Os filhos, todos mui pichotos, deram para emagrecer e apresentar um calundu de fazer dó. Saudades da terra Natal, textualmente.
Passou ano e meio cabeça baixa, sem olhar o céu, impondo-se ofício missionário: já que a quimera havia murchado, que recuperasse viço o patrimônio perdido.
Em fins de 1978, recebeu a convocação do amigo, então candidato a Reitor – que voltasse para Natal, que era o seu lugar. Quando chegasse os problemas seriam solucionados a contento, sob seu patrocínio.
Vendeu o que tinha e atendeu, confiante, ao chamamento do seu patrono. Incorporou-se à campanha para conquista da Reitoria da UFRN, participando de um grupo com centenas de militantes e após dura batalha, hoje mitigada mas dantes celebrada como encarniçada, Diógenes foi nomeado para o cargo.
Nesse meio tempo, sentou praça como editor-assistente do Rn-Econômico, que atravessava uma extraordinária fase de expansão, não por seu auxilio, mas porque confirmava-se a excelência da parceria Marcelo Fernandes-Marcos Aurélio Sá, dois grandes amigos e profissionais competentes, que se completavam.
Certo dia, o amigo-reitor comunica que quer tê-lo como o seu substituto na cátedra de Direito Comercial. Que buscasse Amaury Sampaio Marinho, então chefe do Departamento de Direito Privado, para os acertos.
Pouco mais de um ano depois, o inventor de gente consultou Marcos Aurélio Sá, seu também amigo, porventura o desfalque do editor assistente era perda irreparável, ou suportável em curto ou médio prazo. O jornalista respondeu que preferia manifestar opinião depois de conversar com o seu editor, para aferir as suas conveniências e sugestões e avaliar a conjuntura.
Deu-se então que Sanderson Negreiros havia pedido exoneração do cargo de Pró-Reitor de Extensão e Diógenes, inconformado com a perda, queria ter o amigo, a quem creditava a qualidade de bom executivo, para ocupar a vacância do notável intelectual.
Um complexo de inferioridade apossou-se logo do convidado, pari passu com a preocupação de deixar os dois amigos que lhe confiaram a editoria da revista em dificuldades. E porque substituir José Sanderson Adeodato Fernandes de Negreiros, era tarefa para kamikaze, tamanha a criatividade, a inteligência e a referência de boa gestão na área responsável pela cultura da UFRN.
Afinal, feita as ponderações necessárias, e tirado os nove-foras, decidiu conforme o que é sempre dito como lugar comum em tais situações – aceitar o desafio.
O resto é história conhecida.
A Pró-Reitoria de Extensão, graças às idéias e ao apoio irrestrito de Diógenes, converteu-se em modelar, mantendo cinco programas inovadores que mudaram a feição dessa unidade acadêmica: Programa de Editoração do Trabalho Intelectual da IES (Peti), gerenciado por Dona Salete e Amaral; Programa de Aplicações Científicas e Tecnológicas (Pacto), pelo Professor Adilson Gurgel de Castro, com ajutório de Uilame Umbelino, Liacir Lucena e Glaucus Brelaz; Programa Memória, pelo professor Iramar Araújo e Programa Vanguarda, pelo professor Ari da Rocha.
Além disso, o afoito desafiado tinha sob sua guarda, o Crutac, menina dos olhos do sempre-reitor Onofre Lopes, a Editora Universitária, o Núcleo de Arte e Cultura, o Núcleo de Estudos Panamericanos, a Televisão Universitária, e o Centro de Convivência. Era um mundéu de coisas para cuidar e tocar, tudo feito com dedicação e carinho por uma equipe memorável: Fernando Lira, Airton de Castro, Vilma Sampaio, Lúcio Brandão, Carlos Lira – ah, meu Deus, Carlinhos Lira, ele próprio Memória Viva, vivo e eterno na memória. E Franco Maria Jasiello, romano erudito de chapéu de couro e gibão. Tão “magnífico” amigo quanto Diógenes que encarnou e deu essência afetiva a esse título acadêmico.
Graças a essa equipe e ao apoio do Reitor, o titular da Pró-Reitoria alcançou tal prestigio e notoridade que se habilitou a disputar a sucessão do próprio Diógenes, merecendo dos conselhos superiores o maior número de votos e a primeira posição da lista sêxtupla na disputa pela sua sucessão.
Esse tal fui eu, também criatura “inventada” por Diógenes.
Fim do causo e continuação das loas de merecimento.
Há nessa criatura-criadora, também, e um tanto sobretudo (literalmente reforço e abrigo), um advogado de tanta maestria e alquimia que é capaz de tocar Midas e convertê-lo no que quiser, um abre-te sésamo que é univitelino com o direito regente no país. Cortez Pereira, injustiçado e fustigado indignamente como fosse, com licença da má palavra, boi-de-piranha, foi tocado por esse-um.
Mas, até esse dom é diluído em tantas vertentes, quantos heterônimos de Fernando Pessoa, tributando-se a jusante e a montante a uma corrente que é principal e essencial: o poeta-escritor, que magicamente, valendo-se do próprio ofício e dele recorrente, inventa gente e coleciona amigos.
É também compositor, escreve estórias infantis, e, se brincar, casa, batiza, faz chover no seco e no molhado e inventa uma lua três vezes sol.
Cogito que é espécie dissemínula, diáspora. Reproduz-se em outras tantas espécies, transplanta-se, transmuda-se, transfigura-se ocasionalmente. Transfere-se grão no bico de ave-palavra-pomba, não mais algaroba, mas sementeira de baobá robusto e frondoso, sagrada habitação telúrica onde as oferendas são plantadas em demanda da beleza.



Eis porque mordo a língua...
“ ...e deixo minha fala secar comigo,
e cair como poeira
sobre os olhos famintos”
monte de cinzas
uberdadivosas
adubo de bem quereres



OBS. Quando me ponho e me colho a transfigurar os amigos, inventando personagens e cenários onde pudessem caber, vejo sempre um Diógenes olímpico, boêmio e cristão: túnica e louros de tribuno romano, harpa a tiracolo, como os tangedores de violão, sentado à mesa da santa ceia no mesmo lugar do Divino Mestre, os amigos ao redor aguardando a multiplicação dos pães e do vinho, com gestos largos e solenes, como é seu jeito de ser.



PEDRO SIMÕES
Professor de Direito aposentado,
escritor e advogado.
















Palestra Coração Sentimento com o tema" Porque Existo", com o Psicoterapeuta Brasileiro: Dr. Jorge Guedes

No dia 29 de Maio/2010, realizou-se a Palestra Coração Sentimento, com o tema "Porque Existo" na Biblioteca Municipal de Lagos, aqui bem pertinho de onde moro, na Região Algarve, sul de Portugal e nesta sessão teve a presença do  Psicoterapeuta Brasileiro: Dr. Jorge Guedes.

Clique neste link para assistir um pouco desta palestra: http://www.youtube.com/jglagos#p/u/6/NnWqsXUo8CU


Jorge Guedes - Pesquisador e Investigador no Desenvolvimento da Ciência e Biotecnologia - Pesquisa e desenvolve o tratamento da regeneração das Células Tronco, quais somos hospedeiros, através da reativação destas Células nos orgãos afetados por tumores cancerigenos, leucemia, parkinson, esquizofrenia e outras, através da ativação do sistema nervoso central, nos Países: Portugal, Alemanha, França, Rússia e Israel.
- O Psicoterapeuta e Pesquisador, Jorge Guedes – CRT 30610 – vive em Portugal e desenvolve pesquisas na área da regeneração dos órgãos e tecidos afetados por tumores, através da reativação das Células-Tronco que estão estrategicamente distribuídas e protegidas na: medula óssea, na polpa dentária, nos vasos sanguíneos, no músculo esquelético, no pâncreas, no fígado, no epitélio da pele e do sistema digestivo, na córnea, na retina, na medula espinhal e nos núcleos centrais do cérebro.

Sugestão desta notícia:
Clevane Pessoa
Escritora e Psicóloga Potiguar
Radicada em Minas Gerais-Brasil.





Cd Somente Mulheres, em prol da luta conta o Câncer.

AMIGO (A)...
VALE À PENA OUVIR
ESTE BELO CD
DA CANTORA URUGUAIA
"MARIANA MORAIS".

CLIQUE NESTE LINK:
E OUÇA GRATUITAMENTE!

Mariana Moraes, já se apresentou em vários shows beneficentes, intitulado "SOMENTE MULHERES", promovido pelo Movimento cultural aBrace em parceria com RIPAMA (Rehabilitación Integral en Patología Mamaria), entidade sem fins lucrativos que apóia as pacientes portadoras de câncer de mama, no Uruguai e no Brasil.  Conscientizar, educar e motivar a população na prevenção da doença. Idealizado para divulgar mulheres poetas, cantadas em português, pela cantautora uruguaia Mariana Moraes, intérprete e compositora, o disco conta com Gilberto Oliveira (arranjador e diretor musical); Fernando Ximénez (guitarra); Carlos Sanchez Gil (violão acústico); Paolo Buscaglia (percussão)e Marianna Roldán que com sua voz cadenciada, interpreta Eternamente em mim. Todas as músicas foram gravadas, masterizadas e editadas nos estúdios ORION, Montevidéu, Uruguai. O Projeto gráfico foi da aBrace editora e a direção geral de Nina Reis. Assim define Mariana Moraes: "SOMENTE MULHERES, foi para mim um brincar profundo com as nossas emoções. Musicar cada uma delas foi um grande desafio, trabalho árduo de todo um ano, mas estou feliz de haver finalizado este projeto musical poético feminino."

Relação das músicas: 
Renúncia - Clevane Pessoa;
Amante - Ridamar Batista;
Reencontro- Sônia Maria de Sá;
Devaneio- Anna Osta;
Pétalas desfolhadas,
Casa e solidão, Lobas, Nina Reis;
Encontro- Eliane Accioly;
Eternamente em mim- Nida Chalegre;
Amor e loucuras- Marilú Duarte;
Sabores- Juana Dominguez;
Sempre -Maria Helena Sleutjes;
Às Vezes Mirelle Carvalho;
Amor sem medos,
Como quem canta a vida
-Mariana Moraes;
A espera -Tirzah Ribeiro;
Não nasci poeta não -Myria do Egito
e Vestida de ilusões -Maria Cristina Drese.


A primeira faixa do Cd - "Renúncia", é um poema de Clevane Pessoa, escritora e psicóloga de São José do Mipibú/RN, radicada atualmente em Minas Gerais.

Clevane Pessoa
Representante do Movimento Cultural aBrace.


Confira este ótimo repertório de Bossa Nova, no sotaque caliente de Mariana Morais.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

E O AMIGO "JANSEN LEIROS" AGRADECE-ME COM UMA LINDA POESIA

Ceicinha, bom dia! Eis-me aqui, de retorno a tão gratificante visita. Amim me faltam palavras para agradecer esse gesto de atenção, amizade, gentileza, ... sei lá, tudo quanto de bom você transmite aos amigos.


CEICINHA, A LUSO-BRASILEIRA

DE FATO, SOU TODO GRATO
À CEICINHA BRASILEIRA!
TAMBÉM LUSO E ALTANEIRA,
TAL ESSAS PÁTRIAS IRMÃS.

E NÃO SÃO PALAVRAS VÃS,
...ANELAM FRATERNIDADE,
SUBLIANDO QUALIDADES,
DAS GENTES DESTE BRASIL.

POVO FORTE E VARONIL
COMO FOI DITO NO HINO,
TELÚRICO QUAL SOL A PINO.
FILHO DO PAI, PORTUGAL.

EIS QUE O SELO TAL-QUAL
UNINDO FORTE ESSAS GENTES,
COM GALARDÕES E PATENTES,
PINTADOS EM AQUARELAS

ATALAIAS, SENTINELAS,
TANTO HOJE E NO PORVIR
COM NINGUÉM VAI COMPETIR,
SEM RETORNAR COM VITÓRIA

SAINDO EM BUSCA DA GLÓRIA
NAS TERRAS DE PORTUGAL,
AO INVERSO DE CABRAL,
CEICINHA POZ-SE DE VOLTA

VIAJANDO SEM ESCOLTA,
VENCENDO O MAR, SEM TORMENTAS
CONSTRUINDO NA "PLASCENTA"
A PROJETADA ASCENÇÃO.

SUA VOZ, NUMA CANÇÃO,
GRITA ALTO EM SEU PEITO
AMO AS DUAS COM RESPEITO
NO CERNE DO CORAÇÃO.

JANSEN (DOS) LEIROS

Conterrâneo "ADEMAR MACEDO" e suas "MENSAGENS POÉTICAS"

<<< Trova do Dia: >>>
Na presença de um Juiz
murmurei sim: que tolice...
- Foi o "sim" mais infeliz
que um ser humano já disse! ...
(Maria Nascimento/RJ)

<<< Trova Potiguar: >>>
E surgiu no meu caminho
uma linda FLOR DE LUZ,
foi doada com carinho...
É a chama que me conduz.
(Zélia Figueiredo/RN)

<<< Uma Trova Premiada: >>>
2009 > Taubaté/SP
Tema > AQUARELA > Venc.
Muitas vezes na pintura,
em aquarela aparece,
numa suave ternura,
a dor que nunca se esquece.
(Mifori/SP)

<<< Uma Poesia livre: >>>
DÚVIDA.
– Clevane Pessoa/RN –
Há ternura pelo ar,
pétalas em forma de chuva,
aromas a vestir a alma.
Quero interpretar o momento
não sei se ainda tenho tempo de amar.

<<< Uma Trova de Ademar: >>>

O amigo que nos quer bem
é aquele que, sem temor,
oculta uma dor que tem
e vem sanar nossa dor...
(Ademar Macedo/RN)

...E Suas Trovas Ficaram:
Sou, na vida, uma jangada,
que vence o mar e os abrolhos;
mas naufraga na enseada
do verde mar dos teus olhos!
(Alberto Fernando Bastos/RJ)

<<< Estrofe do Dia: >>>
Saudade lembranças férteis
Que tem sabor acre-doce,
Reacende em nossa alma
Algo que já apagou-se,
Saudade não é espinho
Mas, fura como se fosse.
(Carlos Aires/PE)

<<< Soneto do Dia: >>>
AMOR CONSUMADO.
– Clênio Borges/RS –
Nunca pensei que eu fosse amar um dia
Alguém que fosse assim tão diferente,
Uma mulher com essa biografia
Com esse jeito um tanto displicente.

E, no entanto, o que apenas parecia
Fruto de uma paixão inconsequente,
Transformou-se, como um mar de euforia,
Neste amor profundo e condescendente.

Tenho teus beijos e teu coração
Por isso mesmo não me falta nada,
Nós dois sabemos o que o povo diz...

Nosso amor não é mais suposição,
Entre as mulheres és a mais amada
E entre os homens eu sou o mais feliz.

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Paróquia de Ceará-Mirim realiza campanha em favor das vítimas das chuvas

A Paróquia de Nossa Senhora da Conceição, de Ceará-Mirim, e o Colégio Santa Águeda, das Irmãs Franciscanas do Bom Conselho, realizam uma campanha de roupas, calçados, lençois, toalhas e alimentos não perecíveis em favor das vítimas das chuvas, que residem no território da Diocese de Nazaré, no estado de Pernambuco. Os pontos de coleta são a secretaria paroquial, o colégio Santa Águeda e as capelas da paróquia.

Segundo o Pe. Bianor Júnior, o colégio das Irmãs do Bom Conselho, na cidade de Barreiros (PE) foi inundado pelas chuvas que caíram na região, nestes últimos dias. “Sensibilizados com todas aquelas pessoas, que perderam suas casas e demais pertences, por causas das enchentes, decidimos fazer esta campanha. Estamos em campanha para restaurar nossa Igreja Matriz, mas damos um pouco, do pouco que se tem, diante de tamanha emergência”, diz o Pe. Bianor.

Fonte: Arquidiocese de Natal

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