NOTÍCIAS DA LUSOFONIA

sábado, 27 de novembro de 2010

Roberto Carlos inaugura Teatro Riachuelo, no shopping Midway Mall, com dois shows.

O mais novo espaço cultural da cidade, o Teatro Riachuelo, no shopping Midway Mall, terá sua abertura oficial nos dias 9 e 10 de dezembro com dois shows especiais do cantor Roberto Carlos. O primeiro vai ser apresentado apenas para uma lista seleta convidados e o segundo será aberto ao público.

O valor dos ingressos, divulgado no site oficial do teatro, varia entre os R$ 400,00 do Balcão Nobre e os R$ 600,00 das plateias “A”, “B” e camarotes. A frisa custa R$ 500,00. O desconto da meia-entrada é concedido à estudantes e idosos portando documento na hora do acesso ao espaço cultural.
Elba Ramalho, Jorge Vercillo e Roberto Carlos
O teatro já recebeu os shows da cantora Elba Ramalho, dia 19 de novembro, e de Jorge Vercillo, ontem, em formato “Soft Opening”. As apresentações custaram R$ 80, inteira, e R$40 para estudante.

O Teatro Riachuelo é um investimento do Grupo Guararapes que será inaugurado dentro do complexo de compras e lazer Midway Mall, também pertencente ao Grupo. A estrutura, equipada para ser aplaudida de pé, conta com mecanismos cênicos de alto padrão, carimbando o novo espaço cultural como o maior do Nordeste.

Iniciado há dois anos, o empreendimento conta com a atuação de alguns dos melhores especialistas do país e foi projetado para se tornar referência no contexto nacional.

Os potiguares terão ao seu alcance um espaço versátil, que permite receber desde peças teatrais e apresentações de dança até musicais e grandes shows internacionais. A sala de espetáculos comporta até 1.500 espectadores e pode, em outro formato, receber até 3.400 pessoas. Ao serem retiradas as poltronas, a plateia se transforma num grande salão, adaptável para servir de cenário a outros tipos de eventos, empresariais ou artísticos.

Os ingressos estão sendo vendidos na loja Movelaria, na avenida Hermes da Fonseca, e na loja La Femme, no shopping Midway Mall.

O nosso sempre rei "Roberto Carlos"
O rei

Roberto Carlos tornou-se o cantor mais popular do país após estrear na Jovem Guarda junto com Erasmo Carlos e Wanderléia, em 1965. Bateu o recorde de vendagens de discos. Com seus cabelos longos, roupas à moda Beatles e utilizando-se de mitos do universo do jovem urbano, como o carro e a velocidade e falando muitas gírias,  virou o ídolo de uma juventude influenciada pelo recém-surgido rock’n’roll norte-americano e inglês. Hoje, Roberto Carlos é um ídolo da canção latino-americana, exemplo do sucesso mundial da Música Popular Brasileira.



FONTES: 
Larissa Cavalcante - repórter
Paulo Tarcísio - Jornalista

POETISA MIPIBUENSE, RADICADA EM MINAS GERAIS RECEBEU MEDALHA TIRADENTES


INDICADA POR "JAAK BOSMANS", A POETISA "CLEVANE PESSOA", POTIGUAR DE SÃO JOSÉ DE MIPIBÚ, ATUALMENTE RADICADA EM BELO HORIZONTE, RECEBEU DAS MÃOS DO "CONDE THIAGO MENEZES" A MEDALHA TIRADENTES, NUMA BELÍSSIMA RECEPÇÃO PREPARADA POR RICARDO CAVALCANTE, REPRESENTANTE DA "FALASP" DE JUIZ DE FORA, CIDADE ONDE OCORREU O EVENTO.

FONTE:

GRANDE CAMINHADA PELA PAZ DE RECIFE - PERNAMBUCO - BRASIL

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Será realizada em Recife, neste Domingo, dia 28 de novembro, a XI GRANDE CAMINHADA PELA PAZ, com o tema “Desarmamento”. A Casa da Paz em Recife será um posto permanente de entrega voluntária de armas com indemnização de R$ 100,00 a R$ 300,00 pelo Governo Federal. Esta ação faz parte da preparação da “Campanha Nacional de Entrega Voluntária de Armas, realizada pelo Ministério da Justiça em parceria com a Rede Desarma Brasil/Viva Comunidade da qual o Movpaz é integrante. As pessoas poderão entregar suas armas sem precisar de entrevistas ou de relatar a origem da arma. No posto a arma será danificada com marretadas e posteriormente destruídas pelo exército. “O Brasil é o pais mais armado do planeta e o que mais comete homicídios no mundo, retirar as armas da sociedade é prevenir violências e reduzir homicídios”, afirma Clóvis Nunes coordenador no MOVPAZ.

A Caminhada percorrerá 2,5 quilômetros, saindo do 2º jardim da Avenida Boa Viagem, às 16hs, até ao pólo Pina, onde será finalizada com o Show pela Paz em comemoração ao Dia Municipal da Paz de Recife – Lei 16.601/2000. O evento é parte integrante do Projeto Paz pela Paz e Não-Violência, instituído de forma pioneira em Recife, primeira cidade do estado de Pernambuco a abrigar o MOVPAZ, que atua no município há 11 anos. Presente atualmente em diversos municípios brasileiros, dentre eles, João Pessoa e Campina Grande-PB, Aracruz-ES, Ponte Nova MG, Natal-RN, Fortaleza-CE, Maceió-AL, Piracicaba- SP, o MOVPAZ surgiu a dezanove anos na cidade de Feira de Santana, na Bahia, onde a Caminhada chegou ao impressionante número de 150.000 mil participantes.

Dentre a multidão que caminhará por uma das mais extensas avenidas da cidade, estarão importantes artistas regionais e nacionais, conduzindo a multidão, com um trio elétrico personalizado, executando canções da MPB, que tematizam a vida, o homem e a Paz. Participação de Silvério Pessoa, Maestro Spock, Petrúcio Amorim, Cristina Amaral, Maciel Melo, Banda da Paz da Bahia e outros artistas; Teremos ainda a participação dos artistas educadores do DETRAN, autoridades políticas, líderes religiosos de diversas tradições, e representantes de entidades de classe.

A organização do evento está a cargo da ONG MOVPAZ - Movimento Internacional pela Paz e Não-Violência que já está presente em 11 Estados e 27 cidades brasileiras. A Caminhada Pela Paz tem o apoio do Conselho Municipal de Direitos Humanos, da Secretaria Municipal de Direitos Humanos, da Rede Globo Nordeste, Prefeitura do Recife, Governo do Estado de Pernambuco e de toda mídia de Recife e de diversos movimentos sociais.

“Este grande evento de aproximação humana, percorrerá apenas 2.5 km, mas na verdade, acreditamos que a distância real é de 40 centímetros, que é a distância que vai da cabeça ao coração. O nosso evento é plural, multi-religioso, supra partidário e completamente includente, porque a cultura de paz nada segrega e a tudo irmana”, comenta o idealizador do evento, Clóvis Nunes.

PAZ PELA PAZ!

COMISSÃO ORGANIZADORA
CLÓVIS NUNES – BA (75-9129.2270) SAULO CABRAL-PE – (81-9996.5000) ALMIR
LAUREANO – PB - CLEBER COSTA- RN ( 84-9986.1039)

ALMIR LAUREANO
MOVPAZ
REDE DESARMA BRASIL
GRANDE ORIENTE DO BRASIL
83-9947.0357 e 8747.8598

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA DE LUIS CRISTIANO OLIVEIRA, LOGO MAIS ÀS 18 HORAS, EM LISBOA


O fotógrafo Luis Cristiano Oliveira apresenta no “Al Café” na rua D. Estefânia, 115-C em Lisboa, no próximo dia 26 de Novembro pelas 18 horas a sua exposição de fotografia “Marvão e o Festival Islâmico Al' Mossassa”. Trabalhos feitos nas festas de Marvão e que retratam a presença Árabe em Portugal e em particular nesta região. Esta exposição está patente até 11 de Dezembro.
Estão todos convidados, podem trazer quem quiserem.
António Vieira da Silva
Editor de Fotografia
Chiado Editora
Fotógrafo  Freelancer
SUGESTÃO DE: Édison Almeida

ANETE VARELA, POETISA CEARAMIRINENSE (IN MEMORIAN).

Ana Augusta da Fonseca Cabral 


- ANETE VARELA -




BIOGRAFIA

Conhecida como Anete Varela nasceu na cidade de Ceará-Mirim/RN era filha de Manoel Varela Buriti e de dona Elvira da Fonseca e Silva Buriti. Trabalhou como secretária no Hospital Maternidade de Ceará-Mirim e na Clínica 29 – BENFAN.
Participação em publicações e eventos:
Participou do 3º volume de “Trovadores do Brasil” de Aparício Fernandes em 1970.
4º Festival Brasileiros de Trovadores na cidade de Maringá no Paraná, onde recebeu menções honrosas em 1977.
Concurso de Poesias da Fundação José Augusto em Natal/RN em 1978.
2º Concurso de Trovas de Bandeirantes em 1978 em Maringa Paraá denominado II Jogos Florais.
Participou do Anuário de Poetas do Brasil em 1978 – 1º volume de Aparício Fernandes.
Participou do primeiro centenário de nascimento do Dr. José Pacheco Dantas em Ceará-Mirim/RN no mês de agosto de 1978.
Participou do Anuário dos Poetas do Brasil em 1979 – 1º volume de Aparicio Fernandes.

Em outubro de 1992 a Prefeitura Municipal de Ceará-Mirim na administração do prefeito Jorge Câmara publicou o livro “RETALHOS DE SONHOS” da Poetisa Ana Augusta, como diz o ex-prefeito Dr. Murilo Barros na apresentação do livro: É uma forma de homenagear uma artista pela modéstia e pelo amor à nossa terra.”
Em 24 de setembro de 1993 a prefeita Terezinha de Jesus da Câmara Melo, através do Decreto nº 709/93, cria a Sala Infantil do Estudo Poetisa Ana Augusta da Fonseca Cabral, na Biblioteca Publica Dr. José Pacheco Dantas.

Ruínas do engenho Diamante


DIAMANTE

Anete Varela

Carro de boi, açúcar, rapadura,
Fazem lembrar o engenho Diamante;
Hoje a saudade dentro em mim perdura,
De minha infância que já vai distante!

Nunca existiu em mim dor, amargura,
Quando eu era criança – e, bem galante,
Ia correndo, cheio de ventura,
Pelo capim, macio e verdejante.

Na Casa-Grande, em cada canto, eu via
Um rosto amado cheio de ternura,
A me fitar com risos de alegria.

Já vai longe aquele tempo amigo!
Só me resta, de tudo, a noite escura
Desta saudade que ficou comigo!

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UM BRASIL DIFERENTE, ARTIGO DO DR. ORMUZ SIMONETTE, EDITADO NO JORNAL DE HOJE/RN.

ORMUZ BARBALHO SIMONETTI


MENSAGEM:

Caros amigos e leitores: 

Segue via e-mail mais um artigo publicado em O JORNAL DE HOJE,  
edição do dia 19 de novembro de 2010.
Abraço a todos,
Ormuz Barbalho Simonetti

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UM BRASIL QUE EU NÃO SABIA EXISTIR

“Foi por medo de avião, que eu segurei pela primeira vez na sua mão. Não fico mais nervoso, você já não grita e a aeromoça, sexy, fica mais bonita. . .”

No último mês de abril escrevi um artigo para o periódico O JORNAL DE HOJE, intitulado “Olhando Estrelas”, que tratava, entre outras coisas, de minhas limitações em viajar para outros lugares mais distantes, justamente pelo medo, ou melhor, pelo pavor que minha esposa sentia em voar de avião. E eu nem de longe cogitava a possibilidade de passar várias horas ou até mesmo dias, dirigindo por essas estradas mal sinalizadas e perigosas, principalmente pelo tipo de motorista que delas fazem uso. Condutores de grandes carretas que na maioria das vezes dirigem “rebitados” para cumprir extenuantes horários determinados pelos irresponsáveis proprietários de transportadores; motoristas que conseguiram suas habilitações no período precedem as eleições, que apadrinhados por maus políticos, se eximem de fazer os testes necessários para consegui-las; jovens e adultos que não se preocupam em dirigir seus veículos, depois de embriagar-se nas baladas etc, etc.



Pois bem, depois que ela leu o bendito artigo, já que só tomou conhecimento do mesmo depois que leu no jornal, começou a mudar um pouco esse quadro. Com estava menos resistente, aproveitei para lhe fazer promessas, até mesmo as que de antemão, sabia não poder cumprir-las. Tudo isso para encorajá-la a aventurar-se pelos céus do Brasil. Os filhos e amigos aproveitaram o ensejo para também motivá-la. Depois de algum tempo, já admitia a possibilidade de fazer a tal viagem de avião, mas sempre com ressalva: por enquanto, não quero pensar nisso.


No último dia 12 o medo foi vencido. Viajamos para a cidade de Gramado, na Serra Gaucha, para vivenciar o famoso Natal Luz. A viagem toda transcorreu sem maiores problemas. Sofri apenas alguns e fortes apertos na minha mão tanto nas decolagens quanto nas aterrissagens da aeronave. O mais, apenas as travessuras do meu neto que viajou com os pais e os avôs paterno para o mesmo destino.


O Natal Luz é composto de vários espetáculos, todos ligados a temática natalina e que traduz o espírito gaúcho nessa época do ano. Começa a ser encenado anualmente no mês de novembro e vai até o mês de janeiro do ano seguinte.


Dentre os espetáculos apresentados, um me chamou mais a atenção: o Nativitaten. É o mais consagrado entre os que são apresentados no Natal Luz. Compõe-se de um show de vários cantores líricos, que interage com um magnífico coral formado por jovens da região. Antes do início da apresentação, esses jovens desfilam segurando velas acesas e circulam todo o perímetro em volta do lago.


Esse desfile constitui uma visão deslumbrante, pois até então, toda a área esta completamente às escuras. Ao adentrar no local do espetáculo, os espectadores recebem um protetor de papel em forma de pira e uma vela, que em determinado momento, será acesa por solicitação dos organizadores. Quando isso acontece, todo aquele ambiente se reveste de uma beleza sem igual. Milhares de pontinhos luminosos dançam ao movimento dos braços dos espectadores que acompanham o ritmo das músicas natalinas, cantadas pelo coral.


Outro ponto alto é o belíssimo show pirotécnico que, em sintonia com a “dança das águas”, ganha vida com um impressionante jogo de luzes, deixando em êxtase toda a platéia que ao final do espetáculo aplaude calorosamente. Tudo isso acontece em um espaço chamado “Lago Joaquina Bier”, que fica em frente ao Hotel Laghetto, onde estávamos hospedados.


Confesso que ao ver aquele espetáculo de vozes harmoniosas, pirotecnia, águas, luzes e cores, me senti envergonhado ao lembrar a nossa desprezada e abandonada “Cidade da Criança” ou como eu aprendi chamá-la quando criança, Lagoa Manoel Felipe, o nosso espaço é exatamente igual aquele lago, no tamanho e na localização. Ambos localizam-se no centro de bairros residenciais de classe média alta. Mas as coincidências param por aí. Em Gramado o Lago Joaquina Bier, é bem cuidado e bem tratado pelo Poder Público, rende durante todo o ano, divisas para o município e embeleza ainda mais, se é que isso é possível, aquele pedaço de chão.


A nossa Cidade da Criança: coitada, maltratada, explorada de todas as formas que possam imaginar, morre aos pouco. Suas águas que poderiam conservar-se límpidas, já que nascem ali mesmo naquele chão, ao contrário, são escuras, fétidas, contaminadas com as águas que correm pela sarjeta, além de esgoto de dejetos humanos de áreas próximas.


Um fio de esperança aconteceu quando em 2009 o contrato de número 161/2009 publicado no Diário Oficial do Estado em 9/12/2010, para sua recuperação, foram alocados a importância de R$ 8.5000.000,00 (oito milhões e quinhentos mil reais), sendo 7.200.000,00 para realização da obra e R$ 1.300.000,00 para aquisição de materiais e equipamentos. (Tribuna do Norte 9/12/2009). Iniciaram-se as obras, mas logo foram paralisadas deixando a pobre Lagoa Manoel Felipe, mais uma vez a espera de um milagre. Não sabemos quanto desses recursos foram aplicados.


Será que algum dia as crianças e a nossa cidade são beneficiados dos R$ 8.500.000,00(oito milhões e quinhentos mil reais) que foram alocados para sua recuperação? Confesso, tenho cá minhas dúvidas.


Conheci um Brasil diferente. Gramado é um município com pouco mais de 30.000 habitantes, sendo 90% de sua fonte de renda proveniente do turismo, onde recebe anualmente cerca de 2,5 milhões de turistas.


Algumas coisas me chamaram a atenção. Nos oito dias que estive na cidade, não consegui escutar nenhuma buzina de automóvel. Cheguei a pensar que os carros que por lá circulavam não dispunham desse acessório tão utilizado nas ruas de nossas capitais. Observei incrédulo, que os pedestres quando se aproximavam das faixas destinadas a eles, os carros diminuíam a velocidade e ao menor sinal de que pretendem atravessar a rua, os veículos imediatamente paravam. Tive vontade de rir imaginando a cena de alguém fazendo isso aqui em nossa Natal. Logo que pusesse o pé na faixa sem o devido cuidado de olhar para todos os lados por mais de uma vez, com sorte, no mínimo ficaria sem a perna.


Não se ouvia ninguém falando alto nem andando pelas ruas cobrindo a orelha com um celular. Chamou-me a atenção um vendedor de “mega sena” que falava um pouco mais alto na tentativa de atrair algum cliente. Aproximei-me dele e perguntei: de onde o senhor é? E ele reconhecendo meu sotaque nordestino, falou meio agauchado, - de Pernambuco tchê, vai levar uma? Agradeci e continuei minha caminhada.


Na cidade não existe “sinal” de transito. O único que tinha a Prefeitura achou por bem substituí-lo por uma rótula, há mais de cinco anos. Mesmo que tivesse, certamente não iríamos nos deparar com aqueles garotos que infestam nossos “sinais” munidos de uma garrafa peti cheia de água, que na tentativa de limpar o para brisa dos carros em troca de uma moeda, muitas vezes terminam por sujá-los ainda mais. Não existe a figura do “flanelinha”. Não vi mendigos nem pessoas maltrapilhas circulando pela cidade. Enfim, nada que denotasse pobreza.


Procurei conversas com pessoas da região para saber o segredo daquilo que para mim, era totalmente inusitado. E novamente senti-me envergonhado quando o interlocutor me respondeu com a maior simplicidade: o segredo é elegermos um administrador sério, comprometido com a cidade e a população. Relatou-me que dentre outras ações promovidas pelos dirigentes municipais, está a educação da população, principalmente por ser uma cidade eminentemente turística que lida anualmente, como já disse, com 2,5 milhões de visitantes vindos de todas as partes do Brasil e do mundo. Em contrapartida a população responde com a valorização dos bons administradores. O atual prefeito Nestor Tissot, era o vice do anterior, Pedro Henrique Bertolucci, que entre idas e vindas, já governou o município por 18 anos.


No primeiro dia que chegamos, a cidade foi tomada por um denso nevoeiro que mal dava pra enxergar o outro lado da rua. Foi aí que comecei a ouvir um gorjeio que me pareceu familiar. Procurei entre as árvores e nada pude ver, pois o nevoeiro a cada instante ficava mais denso. No outro dia, com a sua dissipação já era possível enxergá-la. Chegou-me novamente aos ouvidos aquele mesmo canto. E lá fui eu mais uma vez tentar identificar o seresteiro que tantas boas lembranças me traziam. Depois de um bom tempo de procura, pude avistar em cima de um dos casarões em estilo europeu, o que o meu subconsciente já havia identificado. O amarelo ouro do nosso canário da terra. O mesmo que em meus tempos de criança e adolescente voavam em bandos na fazenda de meu pai e por todas as cidades do nosso interior. Hoje infelizmente em nossa região, já faz parte da grande lista dos pássaros ameaçados de extinção. Senti naquele instante que nem tudo estava perdido, pois na longínqua Gramado, o nosso canário da terra esta totalmente a salvo das mazelas que praticamente o extinguiram em nossa região.


Mas como todos sabem o melhor de uma viajem é o retorno para casa. Parafraseando o escritor José Américo, “voltar é uma forma de renascer. Ninguém se perde na volta. Mas, ao chegar em casa, logo precisei viajar para a praia da Pipa, distante 80 quilômetros de Natal, percurso que com a conclusão da BR 101 no trecho Natal/Goianinha, fazemos em pouco mais de uma hora de viajem. Fui surpreendido com uma observação vindo de minha esposa nunca dantes escutada: - essa viagem pra Pipa é muito cansativa! E logo me veio a interrogação: será que agora, por não ter mais medo de voar, ela esta cogitando fazê-la de avião?


Natal, 19 de novembro/2010.

Jornal de Hoje

ORMUZ BARBALHO SIMONETTI 
(Presidente do Instituto 
Norte-Riograndense de Genealogia-INRG, 
membro do IHGRN e da UBE-RN)
www.ormuzsimonetti@yahoo.com.br

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

AULA - PASSEIO, COM O PROFESSOR CEARAMIRINENSE "GIBSON MACHADO"

Gibson (1º do lado direito da foto), 
juntamente com seus alunos
em frente a Igreja da comunidade de Capela,
município de Ceará-Mirim/RN.

O SEGUINTE TEXTO FOI ESCRITO
PELO PRÓPRIO GIBSON

Dia 15 de novembro de 2010 fiz uma aula-passeio com alguns alunos do 1º ano III da Escola Estadual prof. Otto de Brito Guerra.
O objetivo da aula foi apresentar alguns patrimônios históricos e culturais de Ceará-Mirim, focando a importância de sua preservação para a memória do município e ao mesmo tempo, instigar os alunos à luta pela valorização desses patrimônios que se encontram em avançado estado de deterioração. O passeio também foi um incentivo à prática do ciclismo pelo nosso lindo vale do rio Ceará-Mirim.
A viagem transcorreu maravilhosamente bem. A paisagem ajudava a tornar o caminho e o cansaço amenos, principalmente, porque sabíamos que na primeira parada relaxaríamos na cristalina e mineral água do olheiro Diamante. Que maravilha!!!

Gibson e os alunos se refrescando nas águas cristalinas
do Olheiro do Diamante. E eu saudosa, relembro
belos banhos que tomava quando meus pais iam
visitar o seu Salu, morador da fazenda. 

Na fazenda Diamante (antigo engenho Diamante) os alunos foram informados da história do engenho e de seus antigos proprietários, principalmente, o Dr. José Augusto Meira, filho do Dr. Olinto Meira. Nasceu no engenho Diamante em 11/12/1873 e foi educado pelo pai que à época escreveu as cartilhas de gramática e aritmética para educar os filhos. Quando os filhos estavam preparados o velho Olinto os encaminhava para os exames em Natal. Graduou-se em Direito pela faculdade de Recife/PE e como premio, pelo bom desempenho no curso, ganhou uma viagem à Europa.

Dr. José Augusto Meira

Exerceu os cargos de Delegado de polícia (Rio de Janeiro) – promotor público (Santarém – Pará) professor de direito criminal (Belém – Pará). Advogado, deputado Estadual em seis legislaturas – diretor da faculdade de direito do Pará. Senador Federal da República e Deputado Federal, pelo Pará. Encerrou a carreira política em 1955, com 82 anos de idade. Foi ardoroso escritor, tendo combatido violentamente o presidente deposto João Goulart. Faleceu a 21 de março de 1964. Era poeta e publicou vários livros, sendo o mais importante Brasileis, poesia épica nacional.

Gibson mostrando aos alunos o relógio do sol

Em 1973 o governo municipal na gestão de Ruy Pereira Junior homenageou Augusto Meira instalando um monumento na praça Barão de Ceará-Mirim (atualmente o monumento encontra-se na Esc, Municipal Dr. Augusto Meira). No mesmo dia, a família do homenageado instalou um relógio de sol no local onde ele nasceu no antigo engenho Diamante.
Em uma de minhas visitas ao local constatei que o relógio estava abandonado e encoberto pela vegetação. Preocupado, relatei a história do senador para um aluno meu que é morador da fazenda e sugeri que o mesmo fizesse uma limpeza na área porque aquele monumento era muito importante para a memória de nossa gente. Ele ficou impressionado com o que eu falei e fez toda a limpeza no local. Além disso, todas as pessoas que visitam fazenda têm por obrigação conhecer a história do famoso conterrâneo e de seu relógio esquecido.
Nossa próxima parada foi o Museu Nilo Pereira. Os alunos ficaram encantados com a beleza senhorial do velho solar. Questionaram o por quê de tanto abandono e desprezo pela memória da cidade. Fiquei sem saber responder aquelas indagações. Sabia que não adiantaria falar sobre a falta de interesse do poder público, o descaso, essas coisas, de qualquer forma, fiz um ligeiro resumo de como estava a situação do casarão do Guaporé, aproveitando para explicar quem foi Nilo Pereira, o maior guerreiro na batalha pela restauração daquele patrimônio arquitetônico.

Mostrando o que resta do sótão do Casarão do Guaporé

Em frente a Casa Grande do Engenho Guaporé 
- Museu Nilo Pereira -

Gibson mostrando os restos de uma janela
do Museu Nilo Pereira, 
quebrada pelos vândalos.
Que tristeza!

O retorno para casa me fez pensar que havia plantado algumas sementinhas naqueles jovens, pois, os entusiasmos gerados pelas informações, os levaram a questionar as administrações dos patrimônios e, também, sugerir novas visitas com vistas a debates a respeito da valorização e preservação de nossa memória.
Apesar de ter chegado em casa todo moído, causados pelos 50 anos de sedentarismo e pelos mais de três anos sem pedalar, fiquei muito satisfeito e feliz porque sabia que aqueles jovens nunca mais seriam os mesmos que começaram a viagem. A partir daquele dia eles provavelmente olharão nossos patrimônios de maneira diferenciada, enxergando por trás dos óculos. Estou feliz por isso!!!